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terça-feira, 24 de julho de 2012

O Homem que Matou Getúlio Vargas - Jô Soares

   Em mais uma obra do escritor brasileiro Jô Soares, O Homem que Matou Getúlio Vargas narra a trajetória de um assassino atrapalhado que, por ter nascido com seis dedos em cada uma das mãos, descobre que ao invés de ter mais habilidade e facilidade de realizar seus trabalhos, o dedo extra pode, muita vezes, atrapalhar. Além disso, não é só o problema físico que o atrapalha na execução de seus planos: todas as vezes, ao tentar executar atentados contra diversas autoridades políticas ele se vê atrapalhado e impedido de executar seus planos, deixando o mérito dos atentados a cargo de seus colegas, que consegue atingir maior estima entre seus outros companheiros assassinos, enquanto ele continua sem conseguir completar as missões que lhe são incumbidas. Assim, Dimitri Borja Korozec, nascido na Bósnia, mas com antepassados que viveram no Brasil e é parente do gaúcho Getúlio Vargas. Ao rodar o mundo para fazer o que lhe é pedido, Dimitri passa por vários acontecimentos, escapando de ser assassinado por um anão que o odeia e que está decidido a eliminá-lo. Além disso, parece que sua fama por ter dois dedos a mais acaba por torná-lo famoso em alguns locais. Tudo acaba por contribuir para que ele venha para o Brasil e acabe por se tornar o protagonista do único homem que ele descobre que não pode assassinar para não torná-lo um herói popular: Getúlio Vargas. Em um enredo cheio de acasos e tragédias, Jô Soares coloca em um livro de ficção alguns importantes acontecimentos históricos da história brasileira e europeia.

Leia resenhas de outras obras de Jô Soares:
- O Xangô de Baker Street - resenha
- As Esganadas - resenha

terça-feira, 12 de junho de 2012

O Xangô de Baker Street - Jô Soares


   O detetive Sherlock Holmes, juntamente com seu fiel escudeiro Dr. Watson, criação de Sir Arthur Conan Doyle,  estão novamente envolvidos em misteriosos assassinatos mas desta vez, a história é de autoria de outro escritor: Jô Soares que, de forma bem-humorada, descreve o que seriam os acontecimentos de estranhos crimes acontecidos não na Inglaterra, terra em que o famoso detetive mora, mas sim o Brasil na época de Dom Pedro II. Em uma história regada a dendê e outras comidas típicas brasileiras, além de amores despertados por uma mulata muito “formosa”, Holmes tenta desvendar os mistérios que envolvem a morte de algumas jovens que são assassinadas brutalmente, tendo suas orelhas decepadas e uma corda de violino deixada ao lado do corpo. Com a ajuda do delegado Mello Pimenta e outras figuras envolvidas com o imperador, além da belíssima atriz Sarah Bernhardt e outros personagens como Olavo Bilac e Chiquinha Gonzaga. Apesar dos esforços conjuntos da polícia e do detetive, os crimes não são descobertos por eles, mas o leitor é colocado a par de outros eventos que não são do conhecimento dos investigadores e, dessa forma, tem conhecimento de quem é o assassino. Em uma narrativa inteligente e empolgante, Jô Soares consegue, mesmo em uma narrativa de assassinatos cometidos por um serial killer (sendo que, de acordo com o livro, a expressão utilizada para designar assassinos em série tenha se originado no Brasil com esse caso) apresentar uma linguagem leve e bem-humorada deixando o leitor no suspense até as últimas páginas.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

As Esganadas - Jô Soares

   As Esganadas, de Jô Soares, retrata o Rio de Janeiro na época do presidente Getúlio Vargas, tendo como personagens Tobias Esteves, ex-delegado português, dono de uma rede de produtos portugueses no Brasil, o delegado Noronha, seu assistente Calixto e uma  jornalista, Diana. O grupo se vê envolvido em um grande mistério: assassinatos estão acontecendo, e o psicopata que os executa segue um estranho padrão onde as vítimas são sempre mulheres gordas que são seqüestradas por ele ou induzidas a comer alguns quitutes, sendo que ele as assassina em seguida, enchendo seus estômagos com os ingredientes de famosas receitas portuguesas, sendo que elas morrem esganadas. As vítimas, aparentemente, não possuem nenhum outro vínculo, o que torna mais difícil ainda estabelecer um padrão para pegar o assassino. Se isso ainda não bastasse, ele é cuidadoso, nunca deixa impressões digitais.

  Fato estranho, que só é levado em consideração depois de vários crimes terem sido cometidos. Tal descoberta leva ao astuto Esteves identificar uma rara doença que faz com que seus portadores não tenham impressão digital. Cabe ao grupo, agora descobrir quem é o responsável, e qual não a surpresa dos mesmos ao constatar que o responsável pelos assassinatos era o dono da mais respeitada funerária do Rio de Janeiro que fora, após as mortes, contratada para efetuar os enterros. Caronte, como era seu nome, tinha um profundo ódio por sua mãe, a qual havia assassinado. A mesma era obesa e, Caronte, constatou que matá-la não era suficiente para ele. Toda vez que se deparava com uma mulher obesa na rua, se lembrava dela e tinha ímpeto de matar, assim o fazendo. Apesar das dificuldades, Esteves consegue desmascará-lo, mas levá-lo à justiça é outra história: o psicopata prefere se suicidar jogando-se dentro de um caldeirão que estava preparado para a próxima vítima.